12 de dez. de 2008

Maturidade do Servo

Muito se engana aquele que vê a missionaridade de São Paulo repleta de glória e sucesso. Ele que é chamado o "Apóstolos das gentes" pelo incomparável ardor evangelizador juntos aos gentios conheceu em seu serviço para Deus inúmeros fracassos. Não só foi cf. II Cor 11, perseguido pelos judeus, humilhado pelos pagãos e criticado por alguns cristãos, como também, sofreu várias derrotas em seu ministério. A começar pelas primeiras pregações em Jerusalém cf. At 9, 26-31 que o leva a ficar vários anos parado em Tarso, sua cidade natal, e nos desertos e outras ocasiões como o fracasso em Atenas onde foi desprezados pelos pensadores ateniense cf. At 17, 16ss chegando desalentado em Corintos cf. I Cor 2. Porém em todas essas coisas ele é mais que vencedor e nada o pode fazer parar cf. Rm 8, 35-39. A vida missionária de Paulo é realmente para nós servos humanos de Deus divino uma escola a ser seguida.

No exército de Deus não se lista aquele que foi recrutado, mas aquele que foi conquistado. Serve-se a Deus não a partir de uma boa consciência, um bom ideal, mas a partir da experiência de Deus. O serviço para Deus não deve ser nunca uma ação, mas uma reação. Não é uma mera ação humana, motivada por bons ideais humanos. Quando as motivações são humanas logo os obstáculos se tornarão enormes.

Se a motivação é realizar algo nobre quando o brilho acabar a empolgação acabará também.

Se a motivação é fazer algo bom, quando o projeto se macular pelas misérias humanas, sua ou do outro, a empolgação acabará.

Se a motivação é fazer algo diferente, quando outros fizerem o mesmo, e ainda melhor, a empolgação acabará.

Se a motivação é fazer algo novo, quando isso se tornar velho a empolgação acabará.

Se a motivação é ter sucesso, quando vierem as críticas a empolgação acabará.

E ainda, se a motivação é simplesmente fazer, quando outras prioridades se apresentarem, a empolgação acabará.

A motivação deve estar em Deus, nas necessidades do coração de Deus. A força vem de Deus, nós somos apenas impelidos, apenas reagimos. De certa forma não fazemos nada. Isso acontece pela experiência de Deus, especialmente a experiência de Seu amor por nós e por todos os homens. Quando temos essa força em nós as coisas mudam muito. As dificuldades, desânimos, medos, cansaço etc não nos abate mais. Não é que não se sente o impacto dos problemas, mas é que não se é vencido por eles. É que, há uma grande diferença em se saber, conhecer as necessidades de Deus nos homens e no mundo, de ter essas necessidades em si, fazendo minhas as necessidades de Deus. Quando se tem uma real necessidade de algo o empenho, a força é muito maior. Ainda mais sendo essa necessidade uma necessidade de Deus. Aqui a motivação passa de simples empolgações para um verdadeiro entusiasmo ( que significa "ação de Deus dentro"). Aqui a força é de Deus, a glória é realmente de Deus e nós somos apenas instrumentos.

Mas tudo isso só ocorre pela vida de oração. É na oração que Deus age em nós. Um servo que não reza é um servo fadado a derrota. A vida de oração é a causa da vida apostólica. Servir sem orar é o mesmo que trabalhar sem se alimentar. Quando tudo isso for uma realidade e formos surpreendidos pelos fracassos faremos nossas as palavras de Pedro e João: "Não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido" At 20

Retornando a Paulo entendemos que embora ele tenha tido muitos fracassos como servo ele não foi um servo fracassado, ao contrário, foi vitorioso em Cristo se tornando coluna da Igreja. Sua missão não é fruto de uma boa idéia cf. At 13, 1-3, seu ministério parte de um coração conquistado por Jesus cf. Fil 3, 12 b e por isso para ele evangelizar "é uma necessidade que se me impõe" I Cor 9, 16b e ao final de tudo ele pode dizer "combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia..." II Tm 4, 7-8.

Chega de infantilidade, chega de ser tão vulnerável às ciladas do inimigo contra sua missionaridade. Que as críticas, os desprezos, as injustiças, os fracassos, a impotência, os medos, as humilhações e que, em fim, nada possa abalar você no seu chamado de ser evangelizador. Saiba, Deus precisa de você! Você é a lua que Ele o sol precisa para refletir Sua luz na escuridão da noite. E não são poucos os que estão na escuridão das trevas, sob o domínio de Satanás, vivendo indignamente sob os mais diversos aspéctos. É preciso apenas se colocar diante de Deus, e você irá perceber as necessidades dEle no mundo. Aí, sem grandes esforços ou ideais, uma grande missão se vislumbrará ante seus olhos.

André Luis Botelho de Andrade
Fundador da Comunidade Católica Pantokrator
Revista "O Pão da Vida", novembro de 2001
Comunidade Católica Pantokrator

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