11 de mai. de 2009

Silêncio de pregador

O ofício de pregar, algumas vezes exige silencio. Houve um dia na vida de Jesus e do seu servo Francisco em que pregaram sem dizer palavra. Muitos santos fizeram o mesmo. Precisamos aprender esta verdade. Se calar nem sempre resolve, falar também não.

Diante de Herodes que o ridicularizava Jesus preferiu não abrir a boca(Lc 23,8-9) Herodes impressionou-se. O mestre que falou com Pilatos e com inimigos e perseguidores, porque era totalmente aberto ao diálogo, preferiu o silêncio quando o rei o ridicularizou. O rei faltou-lhe ao respeito, mas ele ao invés de irar-se ou faltar com o respeito ao rei, calou-se. Dizer o que quê diante de alguém que faria uso de suas palavras para usá-lo politicamente? Herodes não queria saber nada. Pediu um milagrezinho. Ganho silêncio. Não levou Jesus a sério, não houve conversa.

Francisco saiu pelas ruas de Assis sem dizer uma palavra. Na cidade onde tanta gente ostentava riqueza ele e seus companheiros ostentaram sua pobreza. O povo que tirasse as suas conclusões! Foi sua maneira de pregar sobre o cidadão pobre. Há que haver um lugar para ele! Mas primeiro as pessoas precisariam perceber que ele existe. Então, em vez de os outros passarem por eles se notar, eles desfilaram para a cidade ver. Era como se dissesse: - Olhem para nós que éramos ricos e nos vestíamos como vocês e agora vestimos saco e somos pobres. Pregaram sem dizer uma palavra.

Há silêncios eloqüentes e há falas inúteis. O pregador escolha. Não fale nem demais, nem de menos. Jesus poderia ter ensinado uma longa oração quando os discípulos lhe pediram ajuda para orar. O pai Nosso tem nove sentenças curtas. Foi ele quem disse que (MT 6,7) não era preciso usar de muitas palavras e de vãs repetições para ser ouvido por Deus. Disse e fez! Os puxadores de oração poderiam aprender com ele. Sucintos e densos!

Não há nada de errado em repetir palavras. Mas quem as repete precisa dar-lhes um porquê, um conteúdo e um limite. Há uma repetição pedagógica e um que Jesus mesmo classifica de inútil e vã. Há um eu te amo repetido com ternura sempre crescente que os anos não desgastam, assim como há um Pai Nosso e uma Ave Maria que na boca de muitos fiéis nunca são vazios. Nascem da contemplação. Seus olhos mostram o que estão contemplando. Quem não tem novas palavras porque talvez lhe faltem ou porque não tem o hábito de ler a Bíblia ou livros novos talvez se sinta bem repetindo com sinceridade o que sabe e conhece. Há doutores que recitam o rosário porque repetir lhes faz bem. Mas há que haver um sentido nesta repetição. A escolha é nossa: muitas palavras que valem a pena ou poucas palavras que também valem e, se preciso silencio total. As palavras estão no dicionário. Quando se agrupam o sentido está no coração de quem as pronuncia!

04/03/2009
Autor: Pe. Zezinho, scj
Fonte: http://www.comshalom.org

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